Importância estratégica

A Ciência, a Tecnologia e a Inovação são, no cenário mundial contemporâneo, instrumentos fundamentais para o desenvolvimento, o crescimento econômico, a geração de emprego e renda e a democratização de oportunidades. O trabalho de técnicos, cientistas, pesquisadores e acadêmicos e o engajamento das empresas são fatores determinantes para a consolidação de um modelo de desenvolvimento sustentável, capaz de atender às justas demandas sociais dos brasileiros e ao permanente fortalecimento da soberania nacional. Essa é uma questão de Estado, que ultrapassa os governos.

Nas três últimas décadas, a economia mundial atravessou período de intensa dinâmica tecnológica e de forte aumento da concorrência. O progresso técnico e a competição internacional implicam que, sem investimentos em ciência, tecnologia e inovação, um país dificilmente alcançará o desenvolvimento virtuoso, no qual a competitividade não dependa da exploração predatória de recursos naturais ou humanos. É preciso continuar a investir na formação de recursos humanos de alto nível e na acumulação de capital intangível – a incorporação de conhecimento na sociedade brasileira.

Desde 2003, o governo brasileiro tem concedido especial destaque ao desenvolvimento e fortalecimento de políticas de CT&I. Um dos primeiros passos nesse sentido foi o fortalecimento da atuação do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia que, presidido pelo presidente da República, é responsável pela harmonização entre as políticas dos diversos ministérios que atuam na área de CT&I. Fato relevante também é o novo patamar em que passaram a operar os Fundos Setoriais de Ciência e Tecnologia a partir da regulamentação do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT, Lei nº 11.540/2007) e de importantes aperfeiçoamentos em sua gestão, além do expressivo aumento de recursos aplicados.

Estudos sobre o papel da Ciência, da Tecnologia e da Inovação demonstram: a forte correlação entre o grau de desenvolvimento de um país e seu esforço em CT&I; a importância do apoio governamental nos países desenvolvidos à inovação nas empresas; e a articulação entre a política industrial e a política de CT&I como catalizador da mudança do padrão de desenvolvimento econômico de alguns países. A partir dessas premissas, e da consciência de que o Brasil tem condições de atingir um patamar que se aproxime ao dos países desenvolvidos, foi lançado em 2007 o Plano de Ação em Ciência, Tecnologia e Inovação 2007-2010 (Plano CTI).

O Plano CTI constitui um importante instrumento de orientação das ações de Estado, na medida em que estrutura e uniformiza o planejamento das ações, delineando programas e direcionando o aporte de recursos em uma abordagem sistêmica e estratégica. O Plano CTI apresenta metas ambiciosas que demandam forte empenho institucional para seu cumprimento. Para tal, mobiliza e articula competências, ações e recursos de órgãos do Governo Federal em cooperação com os governos estaduais, municipais, distrital e outros atores. A qualidade da interação entre os atores do Sistema Nacional de CT&I é, portanto, a variável determinante, exigindo uma atuação articulada e uma gestão compartilhada que respondam de forma efetiva aos problemas nacionais.

Os principais atores federais em Ciência, Tecnologia e Inovação, por sua vez, também interagem em uma matriz sistêmica. Nesse sentido, o MCT vem participando ativamente da execução da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), que representa um passo importante em direção à necessária convergência das políticas industrial e tecnológica no País, bem como de outras políticas setoriais estratégicas, como educação, saúde, agropecuária, energia e defesa, entre outras. A forte interlocução da política de CT&I com a política industrial possibilitou: o uso articulado de instrumentos de incentivos (fiscal-financeiro); regulação; poder de compra; e metas compartilhadas entre o setor científico-tecnológico e o setor privado (que também se mobiliza fortemente pela inovação).

São marcos da política de CT&I: a expansão e a garantia de estabilidade dos recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT)/Fundos Setoriais e o aperfeiçoamento de seu modelo de gestão; o estabelecimento do marco legal e regulatório, com as Leis da Inovação e do Bem; a criação de mecanismos e instrumentos de apoio a empresas; a articulação com os demais entes federados e com empresas; a descentralização das ações e variadas iniciativas para o desenvolvimento regional e social.

Como principal instrumento direcionador das ações do governo para o setor, o Plano CTI se organiza em torno de quatro prioridades estratégicas, que norteiam a Política Nacional de CT&I. São elas: i) Expansão e Consolidação do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação; ii) Promoção da Inovação Tecnológica nas Empresas; iii) Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Áreas Estratégicas; e iv) Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Social. Com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento do País, o Plano CTI elegeu quatro macrometas para 2010: aumentar os investimentos globais em P&D; ampliar a participação empresarial no total de investimentos em P&D; elevar o número de bolsas concedidas, com ênfase nas áreas de engenharia e nas áreas relacionadas à PDP; e, por fim, consolidar as ações de CT&I para o Desenvolvimento Social.

As ações e estratégias envolvidas no financiamento à pesquisa, com ênfase na ampliação e na otimização dos recursos investidos em C,T&I, têm gerado resultados tanto abrangentes quanto pontuais. Exemplo disso é a ampliação da capacidade nacional de produção científica e tecnológica, o crescente comprometimento de governos estaduais no investimento e na execução de ações relacionadas ao desenvolvimento de CT&I e, também, o aumento do investimento privado em pesquisa e desenvolvimento (P&D) com vistas à inovação. Os sucessos obtidos evidenciam que a existência de um Plano de Ação em CTI exerce papel fundamental na consolidação de avanços marcantes no cenário brasileiro de CT&I, bem como contribui para o estabelecimento de prioridades estratégicas e constitui ferramenta de planejamento da Política Nacional de CTI.

Com o Plano 2007-2010 consolidou-se o espaço de destaque ocupado pela política de CT&I, construindo assim as bases para um novo tipo de crescimento da economia brasileira, um ciclo virtuoso e sustentável de desenvolvimento, cujo motor fundamental está na geração, absorção e utilização de conhecimentos científicos e tecnológicos.

Novos desafios se apresentam nesse momento de revisão e aperfeiçoamento da política de CT&I. Em primeiro lugar, é imperativo fazer que Ciência, Tecnologia e Inovação se tornem efetivos componentes do desenvolvimento sustentável, do ponto de vista econômico e socioambiental. Em segundo lugar é indispensável que as ações em Ciência, Tecnologia e Inovação sejam tomadas como política de Estado, com o aumento no número de instituições de pesquisa, com o aperfeiçoamento do marco legal existente, criando uma ambiente favorável à inovação e com o aumento na celeridade e melhoria dos processos de gestão.

Soma-se a isso a necessidade de intensificar as ações e iniciativas de CT&I para o grande público; melhorar a educação em todos os níveis e em particular o ensino de ciências nas escolas, a fim de identificar e atrair talentos que demonstrem potencial para se desenvolver como inventores, cientistas, pesquisadores e empreendedores; e expandir com qualidade a distribuição geográfica da ciência.

Por fim, é necessário aproveitar as vantagens comparativas do País para se manter à frente da discussão sobre o desenvolvimento sustentável e contribuir para que o Brasil se torne uma potência nesse novo paradigma, o que inclui, entre outras iniciativas, a conservação, o uso e a repartição de benefícios da biodiversidade.

No cenário de expansão e consolidação da política de CT&I como política de Estado, convoca-se, em 2010, a 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (4ª CNCTI), que, tendo como tema balizador o desenvolvimento sustentável, apresentará recomendações para elaboração do Plano de Ação 2011-2014 e para ações de longo prazo.

Ao destacar a temática do desenvolvimento sustentável, o Brasil reconhece a importância do avanço da ciência, da tecnologia e da inovação como vetor fundamental do crescimento econômico, da conservação ambiental e da melhoria da qualidade de vida. A sociedade olha, então, para a CT&I em busca de soluções para os problemas que a afligem, notadamente para enfrentamento dos desafios globais relacionados à energia, mudanças climáticas, disponibilidade de alimentos e de água, saúde, envelhecimento e degradação ambiental, entre outros.

Principais avanços recentes

2003: Tratado, entre Brasil e Ucrânia, sobre a Cooperação de Longo Prazo na Utilização do Veículo de Lançamentos Cyclone-4.

2003: Satélite sino-brasileiro CBERS 2.

2003: Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica Avançada – Ceitec (RS).

2003: Programa de Apoio à Implantação e Modernização dos Centros Vocacionais Tecnológicos.

2004: Criação da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), que passa a ocorrer anualmente.

2004: Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP).

2004: Programa de Pesquisa em Biodiversidade PPBio (Portaria MCT 268).

2004: Lei da Informática (Lei 11.077).

2004: Lei de Inovação (Lei 10.973).

2005: Regulamentação da Lei de Inovação (Lei 10.973).

2005: Programa de Inclusão Digital.

2005: Primeira expedição científica latino-americana para o centro da Antártida.

2005: Projeto Institutos do Milênio.

2006: Regulamentação da Lei do Bem (Lei 11.196).

2006: Rede Universitária de Telemedicina (Rute).

2006: Programa Edital Universal.

2006: Empresa binacional (Brasil e Ucrânia) Alcântara Cyclone Space (ACS).

2006: Primeira cascata de ultracentrífugas para enriquecimento de urânio.

2007: Plano de Ação de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Nacional, 2007-2010.

2007: Satélite sino-brasileiro CBERS 2B.

2007: Regulamentação do FNDCT (Lei 11.540).

2007: Primeira participação do Brasil no Ano Polar Internacional.

2007: Rede Brasileira de Pesquisas de Mudanças Climáticas (Rede-Clima).

2007: Criação do Sibratec (Decreto 6.259).

2007: Política de Desenvolvimento da Biotecnologia e Comitê Nacional de Biotecnologia (Decreto 6.041).

2007: Comitê Executivo do Acordo de Cooperação firmado entre o MCT, o Conselho Nacional dos Secretários Estaduais para Assuntos de Ciência e Tecnologia e o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Portaria MCT 731).

2008: Centro de Ciências do Sistema Terrestre no INPE.

2008: Política de Desenvolvimento Produtivo – PDP.

2008: Primeiro Edital do Programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia como uma Nova Dimensão do Projeto Institutos do Milênio.

2009: Política de Pesquisas em Ciências Antárticas no âmbito do Comitê Nacional de Pesquisas Antárticas (Conapa).

2009: Inventário Nacional de Emissões de Gases de Efeito Estufa

2009: Unidade de Produção de Radiofármacos (Upra) do Centro Regional de Ciências Nucleares do Nordeste (CRCN-NE).

2009: Centro Regional da Amazônia na cidade de Belém (PA).

2009: Primeiro lote de chips desenvolvidos no Brasil.

2009: Centro de Pesquisas e Projetos no Ceitec, em Porto Alegre.

2010: Fábrica de Circuitos Integrados no Ceitec, em Porto Alegre.

2010: Centro Brasileiro de Tecnologia de Etanol (CTBE).

Metas

Nota: As metas a seguir são resultado dos trabalhos do grupo técnico. A redação das metas em sua formulação de natureza estratégica pode ser lida nas Metas do Centenário.

Meta 1
Elevar a razão entre dispêndio total em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e Produto Interno Bruto do Brasil de 1,09%, em 2008, para 2%.

Submeta 1
Ampliar e consolidar a capacidade de inovação das empresas, elevando os gastos empresariais em P,D&I de 0,51%, em 2008, para 1,0 % do PIB.

Submeta 2
Ampliar os investimentos estaduais em atividades de PD&I de 0,18%, em 2008, para 0,40 % do PIB.

Meta 2
Aumentar o número total de bolsas/ano concedidas, pela Capes e pelo CNPq, chegando a 400 mil bolsas de diversas modalidades, no País e no exterior.

Submeta 1
Ampliar o número de bolsas CNPq, das atuais 78 mil em 2009 para 200 mil em 2022.

Submeta 2
Aumentar a participação das Engenharias nas bolsas concedidas pelo CNPq, chegando a 22% em 2015 e 25% em 2022.

Submeta 3
Ampliar o número de bolsas CNPq de mestrado e doutorado no País de cerca de 19 mil, em 2009, para aproximadamente 45 mil em 2022.

Meta 3
Expandir os investimentos em CT&I para o desenvolvimento social.

Submeta 1
Implantar um Centro de Referência de Tecnologias Sociais por Unidade da Federação.

Submeta 2
Implantar 450 novos Centros Vocacionais Tecnológicos (CVTs), 150 a cada quatro anos, priorizando regiões mais carentes, além de interligar, modernizar e aperfeiçoar os CVTs já implementados.



10 Comentários para “Ciência, Tecnologia e Inovação”

  1. Embora a educação no Brasil não seja das melhores é com muita dificuldade que a ciência vem se desenvolvendo.

    O Brasil é um país em desenvolvimento que necessita cada vez mais de investimentos em Ciência, Tecnologia e Inovação, pois só por este caminho conseguiremos avanços cada vez maiores, já que é notória a importância da incorporação de conhecimento em nossa sociedade.

    A ciência é a responsável pelo desenvolvimento social, político, econômico e tecnológico de uma nação. Todavia, a educação de uma nação tem a ver com seu desenvolvimento na ciência, a partir do momento em que a mesma desperta o interesse de um indivíduo para resolver os problemas da sociedade em que vive. Portanto, se um país estiver centralizado em sua educação, ele terá um bom desenvolvimento social, político, econômico e tecnológico.

    Se em uma nação tudo estiver voltado para educação, com certeza, a ciência deste país será melhor, e consequentemente, este país será o mais desenvolvido. Porém, a educação de um país tem que ter “prática”, pois não existe ciência sem que se pratique ciência.

    Concluo dizendo que a Ciência é importante para o Brasil. Logo, devemos buscar ciência e melhorar a educação para que tenhamos um país melhor e desenvolvido, tanto tecnológico, quanto político, econômico e social.

  2. Gostei muito da visão sistêmica em comprender da necessidade de fomentar à pesquisa brasileira,investindo na educação , formando mais mestres e doutores na área de pesquisa. Gostaria que vocês pudessem discutir a problemática da escassez da água potável,elaborando um documento em que a ÁGUA se tornasse PATRIMÔNIO DA HUMANIDADE, partindo do presuposto que segundo a ONU Organização das Nações Unidas (ONU) mais de 2,7 bilhões de pessoas deverão sofrer com a falta de água em 2025 se o consumo do planeta continuar nos níveis atuais.
    Um relatório divulgado este ano para marcar o Dia Mundial da Água afirma que mais 2,5 bilhões de pessoas irão viver em áreas onde a quantidade de água potável será insuficiente para surprir suas necessidades.
    A crise que se aproxima está sendo atribuída à má administração dos recursos hídricos, ao crescimento populacional e às mudanças climáticas por que passa o planeta.

  3. Renan disse:

    Deve-se lembrar também que a iniciativa privada tem um papel muito importante na pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias. Isso causa um impacto em diversos seguimentos e aspectos de toda a sociedade, como nas relações de consumo, no incentivo da empresa no treinamento dos seus funcionários, no aumento da capacidade produtiva que diminui a preocupação com inflação e consequente aumento da taxa básica de juros, além de outros tantos motivos. Por isso, deve-se também pensar em incentivos governamentais para que as empresas possam exercer este importante papel.

  4. Felipe disse:

    Aumentar bolsas não é uma meta. Uma meta é um resultado, um “output” de uma ação governamental. Uma meta relativamente à estrutura de pós-gradução brasileira seria aumentar a conclusão de cursos de mestrado e doutorado.
    O mesmo pode ser dito da última “meta”. O correto seria dizer o que se pretende com esses centros: aumentar a qualificação da mão de obra? Aumentar a taxa de inovação das pequenas e microempresas? Aumenta a inclusão digital? Números repondendo a essas perguntas seriam metas.
    À parte desses deslizes metodológicos, a segunda “meta” proposta revela um diagnóstico curioso da C&T brasileira. Nova em dez especialistas sabem que nosso problema fundamental reside na baixa iniciativa empresarial nessa área, bem como na reduzida resposta aos estímulos públicos à C&T. A segunda meta radicaliza ainda mais uma das maiores deformações do nosso atual sistema, aumentando muito mais a participação federal nesses esforços. O Brasil deve, claro, aumentar ainda mais o número de bolsas, mas o mais importante é cobrar dos beneficiados participação em pesquisas relamente do interesse nacional (e não de unbiversidades e empresas fora do país), e resultados efetivos, práticos, de suas pesquisas (ao invés de participações em congressos e publicação de papers lidos apenas pelos próprios pares).
    De forma geral, portanto, as metas estão mal formuladas, respondem demasiado ao interesse de corporações específicas, e não vão na direção de aprimorar nosso sistema atual fomento à C&T, de forma a permitir ao país alcançar e sustentar uma posição de destaque internacional, coerente com o protagonismo político e econômico que estamos cada vez mais próximos de alcançar.

  5. O governo deve incentivar a formação técnica e não apenas o ensino universitário, pois os jovens poderão optar por uma Faculdade depois de já estarem atuando na sua área de formação.
    Há de haver parcerias entre as empresas e as Universidades Públicas e Privadas objetivando a formação de pessoas mais qualificadas e a criação de um espaço criativo que traga benefício concretos para a sociedade.

  6. Embora ache muito bem vinda a iniciativa de um planejamento proposto pelo governo federal, principalmente no que diz respeito à ciência, tecnologia e inovação – minha área de interesse. Devo dizer que sem a devida participação e preocupação dos vários ramos do governo, fazendo com que o planejamento se torne atuação efetiva, não haverá planejamento ou riqueza que nos ajudara a ter, de fato, uma sociedade desenvolvida. Vejo isto pelo prisma da informação, que mesmo inseridos dentro de um momento do seu grande fluxo, onde assistimos uma sociedade inteira falando a esse respeito, ainda temos a maioria absoluta do povo brasileiro vendo inclusão digital como usar o teclado e a Internet sem ter a mínima noção do alcance da ferramenta diante de si e debaixo dos seus dedos.
    O começo é perfeito; planejamento; mas ainda precisamos fazer funcionar os modelos existentes, proposto por governos anteriores e pelo que atua, mas que infelizmente ainda não funcionam. As universidades federais sofrem com a inefetividade de suas gestões. Cito como exemplo a falta de residência estudantil nos campi federal, auxiliando aqueles estudantes de baixa renda que vive longe dos centros onde as universidades federais estão localizadas. Cito também a falta de critérios profissionais na gestão dos centros de pesquisa brasileira. Estes são geridos por pesquisadores que, ao invés de estarem fazendo pesquisa, estão ocupando o lugar de gestores com formação especifica para o cargo (administradores).Vislumbro uma ciência e tecnologia com pesquisadores preocupados com pesquisa e gestores cuidando das partes burocráticas, estresse atual do pesquisador brasileiro. As bolsas oferecidas no desenvolvimento da pesquisa brasileira ainda não são suficientes para atender a maioria dos formandos em pesquisa. Neste aspecto, digo que pesquisa se faz com amor ao conhecimento, planejamento estratégico em seu desenvolvimento, gestão financeira e de recursos humanos e, principalmente, iniciação científica já no começo do ensino médio, onde o vislumbre profissional e científico floresce.

    Agradeceria resposta as minhas questões.

  7. Marcello Storrer disse:

    Sugiro que os instrumentos de incentivo ao desenvolvimento da ciência e tecnologia financiem a compra de tecnologia de ponta no exterior para que se possa criar novas gerações sobre essa tecnologia de ponta, ao invés de querer re-inventar a roda. No setor eólico, por exemplo, a FINEP poderia financiar o desenvolvimento de turbinas eólicas brasileiras com base em tecnologia estrangeira. Ao invés de financiar novos projetos de pequenas turbinas de 50 kW. estamos propondo financiar a adaptação do novo projeto de 10.000 kW às condições nacionais. Com isso, a turbina eólica marítima que foi projetada para as condições adversas do Mar do Norte poderão ser reprojetadas mais leves, pois nossas condições são muito mais amenas que as de lá. Será possível que logo o Brasil faça, com isso, o SEGURO ENERGÉTICO ANTI-APAGÃO 100% RENOVÁVEL. com o uso apenas de VENTO E ÁGUA, aproveitando a complementaridade sazonal dos regimes hídrico e eólico, gerando, com isso, uma enorme economia de água que poderá manter o projeto da integração das bacias do São Francisco com as do Nordeste Setentrional com vazão cinco vezes maior durante a seca, sem comprometer a água do Velho Chico!

  8. Dois pontos devem ser destacados. Primeiro temos a realidade de que o ciencia e a inovacao tecnologica no Brasil ainda precisam ser apoiadas pelo Estado, o segundo ponto e que a cultura do povo brasileiro precisa ser mais cientifica e voltada para a inovacao, inclusive para que o montante de recursos privados envolvidos em pesquisa e inovacao sejam ampliados.

    O fato e que quaisquer brechas que existam entre o investimento publico em pesquisa e a aplicacao do conhecimento novo e da inovacao em beneficio do desenvolvimento do pais precisam ser preenchidas por articulacoes de uma gestao mais eficiente.

    Se for necessario, o Estado deve sim ser dono das patentes desenvolvidas com dinheiro publico, explorar de diversos modos esse direito e nao apenas doa-lo a empresas para que explorem privadamente a inovacao. Se necessario, novas empresas publicas de gestao da pesquisa pratica precisarao ser criadas. A inovacao podera ser disponibilizada as empresas e ao publico em geral em diversas plataformas, num programa integrado para dotar a sociedade brasileira com a “cultura da ciencia, da inventividade e inovacao”.

    O povo brasileiro precisara aprender a ser protagonista do desenvolvimento cientifico e tecnologico mundial, e nao um mero consumidor das inovacoes. Para tanto, precisa mudar a cultura, a visao de si mesmo e do potencial dos recursos materiais e naturais nacionais.

  9. O espaço é exíguo, portanto tentarei ser breve e direto.
    No meu ponto de vista, existe um hiato enorme no Brasil entre o mundo acadêmico e o mundo empresarial. No mundo acadêmico a pesquisa é desenvolvida, e no mundo empresarial a pesquisa é aplicada, com fins econômicos. Desenvolver tecnologia (academia) por si só, sem que haja aplicação direta em inovações tecnológicas de ponta (empresa) não garante desenvolvimento econômico sustentável.
    È imperioso que o Brasil re-articule sua legislação de modo a aproximar estes dois mundos, hoje tão distantes entre si.
    A academia deve ser beneficiada pela pesquisa desenvolvida através do ganho de royalties e patentes, que a possibilitem continuar seu trabalho, e a empresa deve se beneficiar das novas tecnologias que permitam ganho de participação no competitivo mercado em que atuam, através do lançamento de inovações (produtos e processos produtivos inovadores, novos materiais, novos meios de divulgação e marketing, etc). A legislação brasileira sobre direitos autorais e de patentes é confusa, e em diversas situações não garante o efetivo ganho financeiro com a invenção criada. O processo de obtenção de patente é custoso e burocrático, e deve também ser revisto e melhorado.
    Deve-se estimular a aproximação e o patrocínio de departamentos de pesquisa de Universidades por empresas privadas, e a patente gerada deve beneficiar a ambos, dando-lhes condições de continuar a pasquisa. Este é um tema tabu, pelo fato de a academia resistir à suposta intromissão das empresas na condução da pesquisa, todavia algum arranjo deve ser estabelecido neste sentido, caso se queira resultados efetivos.
    Um exemplo de sucesso é o caso da EMBRAPA, empresa que pesquisa e desenvolve tecnologia de alto nível na área de agronomia, zootecnia e biologia, cujo resultado beneficia imensamente a agroindústria brasileira, tornando-a mais competitiva e produtiva.
    Diversos campos são propícios para a aproximação entre academia e empresas, dentre estes se destacam o de biotecnologia, desenvolvimento de novos materiais, nanotecnologia, engenharia eletrônica, engenharia de software, energia, tecnologia de transportes, quimica fina, entre tantas outras áreas.
    Espero ter contribuído para a importante discussão sobre ciência, tecnologia e inovação no Brasil.

  10. O Brasil é um país que possui um taleto nato de inovação e claro, quando se trata de tecnologia também não ficamos pra trás. Sendo assim o país deveria investir em políticas pública que viabilizem a pesquisa e desenvolvimento tecno-científico. Nosso país carece de investimento na área de pesquisa e isso é um ponto crucial para o desenvolvimento do país.