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Brasília,


Estabilidade econômica, mais empregos formais e melhor ensino são fundamentais para se assegurar este avanço social

Estudo em elaboração pela Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, intitulado “O Brasil que queremos”, compara o mercado da nova classe média do país ao tamanho do que existe em Holanda ou Coreia do Sul. Com um consumo equivalente a US$ 500 bilhões, esse mercado de 120 milhões de brasileiros já seria o décimo sétimo em escala mundial.

Trata-se, efetivamente, de um mercado promissor, pois tende a crescer ainda mais pelos próximos vinte anos. O segmento de TV por assinatura, por exemplo, expande-se a uma taxa anual de 30%, chegando a 17 milhões de domicílios, segundo as últimas estatísticas da Agência Nacional de Telecomunicações. A própria Anatel trabalha com a projeção que a TV por assinatura alcançará 90% dos domicílios brasileiros até 2018.

Um outro estudo, este da Fundação Getúlio Vargas, recém- divulgado, estima que mais da metade da população brasileira (51,2%), esteja incluída no chamado mundo digital, por meio de telefones fixos, celulares, computadores pessoais e tablets. É um índice que está acima da média mundial, de 49%.

Também merecem destaque os números do transporte aéreo doméstico, com crescimento anual de mais de 10%, segundo a agência reguladora do setor (Anac).

Cuidar desse patrimônio é um dos desafios que o Brasil terá nos próximos anos. A ascensão da baixa classe média se deve a uma série de fatores, começando pelo esforço para se neutralizar a inflação crônica e aguda que fragilizou a economia brasileira por décadas. A universalização do ensino fundamental a partir dos anos 90, somada aos programas para reduzir a evasão escolar, contribuiu para pavimentar o terreno para absorção de mais mão de obra jovem pelo mercado formal de trabalho, resultando em elevação da renda média das famílias.

Com a redução dos índices de fecundidade para menos de dois filhos por mulher (o que faz hoje a população economicamente ativa crescer a um ritmo de 1,45%, inferior ao da oferta de empregos), este processo de formalização pode continuar, o que os especialistas consideram importante para assegurar o nível de renda da nova classe média.

Mas nada disso ocorrerá por inércia. Marcelo Neri, pesquisador da Fundação Getúlio Vargas que tem se dedicado a analisar a mobilidade social no Brasil, acha que, para haver um novo salto, o cumprimento das metas de educação será essencial.

A melhoria na distribuição de renda depende de ganhos de produtividade em parte atrelados à evolução da qualificação profissional dos brasileiros. Neri considera essa questão até mais importante do que o crédito para aumento de consumo e as políticas sociais de efeitos passageiros.

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