“Nós estamos zerando a fome extrema no Brasil. As cenas dramáticas na televisão, aquelas multidões nas estradas, nas ruas do Nordeste, clamando por um prato de comida, isso não tem mais. As Vidas Secas do Graciliano Ramos, os retirantes, as Sinhás Vitórias, os Bentinhos que tinham os olhos negros parados de fome, naquela tragédia denunciada pelo Josué de Castro, tudo isso é página virada”. Foi o que afirmou o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, hoje, na Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) em palestra para funcionários da SAE, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo (IPC-IG).
Patrus foi convidado pelo ministro da SAE, Samuel Pinheiro Guimarães, para inaugurar o ciclo de palestras que a Secretaria pretende realizar para municiar técnicos e gestores na elaboração do Plano Brasil 2022. “As disparidades sociais são um obstáculo extraordinário à formação do mercado interno brasileiro e, portanto, do próprio desenvolvimento. O ministro Patrus está à frente desse esforço, e tem realizado um grande trabalho no enfrentamento às disparidades”, disse Samuel.
Em sua palestra, o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome fez um panorama histórico das políticas sociais no Brasil e ressaltou o papel ativo do Estado, a partir de 2003, quando adotou um modelo de desenvolvimento com predomínio do social e do crescimento inclusivo.
De acordo com ele, o orçamento destinado às políticas sociais subiu de R$ 11,4 bilhões, em 2003, para R$ 33 bilhões em 2009. “A expectativa é que em 2010 chegue a R$ 38,9 bilhões. Os valores mostram que o Estado brasileiro está desprivatizado, com a inclusão dos pobres no bolo econômico”, afirmou.
Para Patrus, as políticas sociais, com seus programas de transferência de renda, como o Bolsa-Família, cumpriram papel fundamental para tirar o Brasil da grave crise econômica internacional. “O presidente Lula determinou o aumento do Bolsa-Família no meio da crise por dois motivos. Primeiro por sua sensibilidade extraordinária para os pobres e seu compromisso com a inclusão. Segundo pela intuição política de que a distribuição de renda aquece o comércio, que aquece a indústria e a agricultura”, explicou.
Patrus afirmou que, além da dimensão humanitária, de garantir acesso a bens e serviços básicos, o Bolsa-Família está vencendo um preconceito histórico de que é possível distribuir renda e ver o país crescer. “Não se trata de distributivismo. Mas de o social apoiar a economia. Um complementa o outro. O país está crescendo porque os pobres estão entrando no mercado de consumo”.
A perspectiva de vencer a pobreza extrema no Brasil, apontada em pesquisa recente do Ipea, também foi mencionada por Patrus. “Se continuarmos com as políticas sociais, ampliando, aperfeiçoando e mobilizando mais recursos, certamente poderemos celebrar, nos 200 anos da Independência, em 2022, um Brasil que assegure a todos os mesmos direitos e oportunidades”, finalizou.








