Índice de Expectativas das Famílias, divulgado em SP no último dia 6, aponta retomada do otimismo após queda este ano
Recuperação das expectativas positivas em relação ao País. Esta é a principal conclusão da 13ª edição do Índice de Expectativas das Famílias (IEF), divulgado na terça-feira, 6, em São Paulo, pelo presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Marcio Pochmann.
“Completamos um ano de experiência do índice com objetivo de acompanhar a expectativa das famílias quanto à situação socioeconômica do País. Este tipo de instrumento, que existe desde os anos 1950 nos Estados Unidos, é importante para acompanhamento de resultados de políticas macroeconômicas”, explicou o presidente.
Apesar de o índice nunca ter saído da zona de otimismo (60 a 80 pontos), chegando em agosto a 65,2 pontos, houve uma queda a partir do início do ano, culminando no menor número em maio (62,9). Segundo Pochmann, essa queda é compreensível e esteve atrelada à política de corte de investimentos, aumento de juros e possibilidade de desaceleração da economia.
Consumo e endividamento
“Daí, por exemplo, é que as famílias se mostrem mais otimistas em relação à sua condição do que à do próprio país”, disse. A impressão se consolida quando avaliada a expectativa quanto ao consumo de bens duráveis. Agosto é segundo melhor mês do índice, com 56,8% dos respondentes considerando o atual momento bom para consumir (atrás apenas de fevereiro, com 58,2%).
Na outra ponta, a do endividamento, obteve-se o maior índice em toda a série de famílias sem nenhum tipo de dívida: 52,2%. Dos 47,8% que possuem dívidas, 20,4% dizem estar muito endividados; 37,2%, mais ou menos e; 44,2% estão pouco endividados. Das famílias endividadas, 37,9% afirmam não ter como saldar o débito; 46,6%, em parte e; 14,1% saldarão as dívidas totalmente.
“Podemos apenas especular, pois a pesquisa não tem objetivo de inferir as razões, mas a elevação dos juros e o corte de investimentos do governo parecem ter sido entendidos pelas famílias como momento para contenção de despesas”, afirmou Pochmann, acrescentando: “quanto à solvência, ainda há um processo de aprendizagem, visto que antes não existia crédito no país.”
O índice
Produzido pelo Ipea desde agosto do ano passado, O IEF revela a percepção das famílias brasileiras em relação à situação socioeconômica do País para os próximos 12 meses e para os cinco anos seguintes. O IEF é uma pesquisa estatística por amostragem realizada em 3.810 domicílios, em mais de 200 municípios, abrangendo todas as unidades da federação. Utiliza-se o método de amostragem probabilística de modo a garantir uma margem de erro de 5%, com um nível de significância de 95% para o Brasil e para as cinco grandes regiões. A pesquisa aborda os temas:
- situação econômica nacional;
- condição financeira passada e futura;
- decisões de consumo;
- endividamento e condições de quitação de dívidas e contas atrasadas;
- mercado de trabalho, especialmente nos quesitos segurança na ocupação e sentimento futuro de melhora profissional.
Fonte: Ipea







